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domingo, 6 de outubro de 2013

                 

                   
                   Shoreside Town era uma das melhores cidades de Ethron.
                O calor predominava naquela manhã, de forma que muitas pessoas viajassem para a pequena cidade litorânea, a fim de aproveitar o tempo nas melhores praias que o continente poderia oferecer. A areia branca e macia, o mar de tons turquesa e verde claro, os pontos agradáveis para se visitar... Tudo era atrativo.
                Drake, Lilly e Sam haviam chegado na cidade tarde da noite, de forma que sequer pudessem reparar que havia uma praia por lá. Apenas adentraram o Pokémon Center e descansaram, almejando encontrar um local mais agradável para passarem os próximos dias.
                Os jovens saíram do estabelecimento na manhã seguinte, fitando a praia maravilhosa e paradisíaca que os aguardava. Drake parecia completamente feliz, não sabendo por onde começar a diversão, exclamando logo em seguida:
                —Sol. Areia. Água! É praia, rapaz! Não tenho dúvidas!
                —Que maravilha abandonar aquele frio costumeiro. —concordou Sam.
                Lilly pisou suavemente na areia com o tênis, tendo uma sensação estranha. Não era o concreto, a madeira, ou a terra em que estava acostumada a pisar, era macio e modelava-se conforme seu pé afundava.
                —Essa areia é... Esquisita. —comentou.
                —Como assim esquisita? —indagou o amigo. —Vai me dizer que você nunca esteve numa praia?
                Lilly hesitou.
                —Na verdade não. —respondeu. —Meus pais não tinham muito tempo para viajar, entende?
                Os pais de Lilly. Sam ouviu as palavras proferidas pela garota com cuidado. Ele ainda não tinha ciência de quem eram seus pais, mas pelo pouco que ouvira, a menina não tinha tantas boas lembranças destes. Apenas se perguntava por que ela receava em contar quem eram.
                —Vem cá, essa areia vai ficar assim mesmo? Dificultando que eu ande? —resmungou a garota.
                —É assim mesmo, mas você acostuma.
                —O que torna isso tão bom quanto dizem? —perguntou.
                —Tá brincando? Um mar lindo pela frente, sol pra aquecer os ânimos, comida típica do quiosques beira-mar, lindas moças de biquini... É tudo perfeito! —respondeu Drake, em êxtase. —Sem chatice, vamos logo entrar!
                Por sorte, o que não faltava em Shoreside eram lojas de roupa de banho. Puderam conseguir roupas simples, apenas para passar aquela semana na cidade. Os três vestiram-as, e logo em seguida olharam para a linda praia pela frente. Nenhum deles teve coragem de reclamar daquela situação, pois a vista não poderia ser mais perfeita.
                A água era cristalina, em tons que iam do azul ao verde, e era possível até mesmo ver o fundo, quando as ondas não vinham e levantavam a areia. O céu completamente sem nuvens era pouco mais claro que o mar, naquela profundidade, demarcando a linha do horizonte. A areia fofa era branca, e ninguém ousava poluí-la, como acontecia em outros lugares.
                Drake pediu para que um homem colocasse o guarda-sol em um local específico, e também solicitou três cadeiras. Escolheram um local mais calmo, onde poderiam apreciar aquela beleza natural de perto. Caminharam até o ponto, ouvindo outro comentário de Lilly.
                —O chinelo fica saindo.
                —Então tira ele. —respondeu Drake.
                Até que não parecia má ideia, afinal, a areia não era suja. Ela tirou o calçado, depositando os pés pálidos na areia macia. Lilly não foi capaz de acreditar naquela sensação maravilhosa. Incomodava, mas era um incômodo bom. Ela sentiu a emoção de não ter os pés aprisionados e protegidos, sentiu a realidade. Aquele momento estava incrível.






                —Isso me faz sentir livre.
                Drake não esperou ninguém para correr em direção da água, indo nas ondas de barriga e mergulhando de cabeça, após a profundidade certa. O rapaz soltou um grito de alegria, não se importando que os outros ouvissem. A água estava refrescante, principalmente naquele calor.
                Lilly pediu para Sam ir com ela também. Ela tinha medo daquele mar, afinal, ele ia até onde os olhos alcançassem, e sabia que sua profundidade era preocupante. Como as pessoas poderiam nadar tão tranquilamente, sabendo que poderiam ir parar do outro lado do mundo, ou serem sugados para as zonas abissais do oceano. Ou ainda se depararem com criaturas horrendas e assustadoras jamais vistas antes.
                —Nada disso vai acontecer com você. —disse Sam. —C-Confie em mim.
                A menina sorriu delicadamente.
                —Eu confio.
                Um ao lado do outro, avançaram para a água, a passos curtos e lentos. Drake os viu e fez sinal para que se aproximassem, indo para uma zona menos profunda, onde Lilly poderia se sentir confortável. Ela agradeceu mentalmente pelos amigos compreensivos que tanto caçoava, pois apesar de não dizer, ela os amava.
                Uma pequena ondinha tocou os pés de Lilly e de Sam, de forma que a garota pudesse sentir pela primeira vez como era ser tocada pelo mar. Não era ruim, e a água estava perfeita. Continuaram avançando, de forma que aos poucos a canela de ambos ficasse coberta. Puderam sentir o vai e vem das ondas.
                De repente, as ondas foram puxadas para o mar, deixando-os fora da água.
—O mar levou a gente de volta? —indagou a menina. A curiosa sensação do mar empurrar a pessoa de volta.
                —Não, isso também é normal. —riu Sam.
                E voltaram a avançar, novamente parando quando a canela de ambos foi coberta.
                —CACETA! Alguma coisa tocou no meu pé! —gritou a garota, agarrando o braço de Sam. —Será que é um Kingler?
                —Um Kingler não teria dez centímetros de altura. —brincou ele. —É apenas a areia do fundo que foi levantada pelo movimento das ondas.
                A garota encarou a água, e quando a areia baixou, realmente não havia nada.
                —É, acho que você tá certo. Mas se eu for mordida, a culpa é sua! —brincou.
                Sam riu e continuou a acompanhá-la. Drake notou que a menina ainda não largara do braço do companheiro, mas não disse nada, apenas sorriu com a cena. A passos lentos, finalmente alcançaram o amigo, ficando com até a parte de baixo do ventre coberta. Era uma sensação engraçada,  a água os puxava e trazia.
                —Cara, isso é… É muito legal! —exclamou a menina, afundando a cabeça. —Como pude viver tanto tempo sem fazer isso?
                Drake e Sam trocaram um olhar de satisfação. Era divertido ver Lilly em momentos em que a garota não tentava deixá-los para baixo ou tirava sarro de alguém. Poderiam ter a boa Lilly ao seu lado, e não havia ninguém que pudesse tirá-la do sério apenas com a presença. O tipo de momento que deveria ser aproveitado ao máximo.
                A menina brincou de espirrar água nos companheiros, rindo da reação dos mesmos. Drake afundou na água e puxou o pé de Lilly, fazendo-a soltar um grito, e após se dar conta de que era apenas uma piada, não fez nada, apenas caiu na gargalhada e jogou água em Drake, que sorriu. Sam tentou entrar na brincadeira, mas recebeu um jato de água duplo no rosto, antes que pudesse fazer qualquer coisa. Novamente todos riram da situação.
                Assim permaneceram, até que as barrigas começaram a querer chamar a atenção com roncos. Foram obrigados a deixar o mar para sentar sobre o guarda-sol que pegaram. Lilly se perguntou se havia algo para comer na praia, recebendo um aceno positivo dos amigos, que sugeriram pegar água de coco enquanto procuravam algum lugar para comer.
                Foram a uma pequena barraca, onde o dono pegou três frutos grandes como bolas de boliche e, com um facão, cortou o local certo para depositar um canudo. Lilly pegou o seu e bebericou o líquido, que estava gelado e refrescante, suavemente adocicado. Delicioso. Conseguiu sorrir e imaginar como sua vida mudara positivamente nos últimos tempos.
                —Qual o gosto? —perguntou Sam, mostrando um sorriso de canto.
                —Melhor que eu imaginava. —respondeu.
                Encontraram um quiosque com uma vista privilegiada para a praia. Não era muito sofisticado, arrumado, mas ainda transmitia um ar reconfortante, misturando o som do liquidificador, com o som de uma chapa fritando, e o barulho das ondas se quebrando ao fundo. O cheiro da maresia se misturava com o de fritura, mas nada muito pesado.
                Degustaram os pratos típicos de frutos do mar, experimentando algumas coisas nada saudáveis cujo aroma era capaz de entupir artérias. Mas ainda assim era muito saboroso. Os amigos continuaram ás risadas, aproveitando o bom tempo e a companhia. Sem rivais, sem interferências de outros. Apenas o trio.
                —Então, estamos de volta... O mesmo trio do início de jornada. —comentou Sam.
                —É estranho pensar que algum tempo atrás éramos desconhecidos. O que tínhamos na cabeça para decidir rodar o mundo na companhia de estranhos? —riu Drake.
                —Gente, fala a verdade, a vida de vocês nunca seria a mesma sem me conhecerem. —brincou Lilly.
                —Isso é verdade. —Drake fez uma pausa. —Só não sabemos se seria bom ou ruim.
                Lilly deu um soco no braço do amigo, e os três caíram na gargalhada novamente. Era bom, mais ao mesmo tempo estranho, era o mesmo trio de alguns meses atrás. Como podiam ter tanta intimidade e amizade assim?
                —Lembra de quando nos encontramos pela primeira vez? —indagou Drake.
                —Lembro. —respondeu Lilly de cara feia. —Foi quando veio um idiota e espantou os Pokémons iniciais e eu fui obrigada a caçar os malditos. Besta desde o princípio...
                —Ei, ei, respeito! Sem mim você mal saberia como começar uma batalha, se lembra?
                —Querem reclamar? Imaginem vocês chegando de viagem e tendo que sair por aí para entregar uma droga de pasta, encontrar duas crianças, e ser perseguido por uma facção criminosa. —sorriu Sam.
                —Verdade. Não tive uma boa impressão de vocês no começo. —respondeu Drake. —Nunca tive com pessoas, era difícil ter contato com elas.
                —Eu também não. Parece que minha personalidade cria uma barreira contra os outros. —disse a menina chateada.
                —E eu, que sempre fui o nerd do colégio, que só podia se aproximar dos outros quando era pra fazer trabalho com eles? Digo, para eles.
                O trio refletiu por um momento. Seria mesmo o destino, conforme Rachel disse, eles se encontrarem? Três rejeitados que se encontrariam e seriam amigos, donos do tipo de amizade mais forte existente?
                Decidiram sair do lugar e pagaram a conta, indo para as feiras famosas da cidade. Tratava-se apenas de um conjunto de lojinhas caiçaras que vendiam todo o tipo de bugigangas adoráveis: chaveirinhos, pulseiras, chinelos, roupas de banho, decorações... Era impossível passar sem querer comprar alguma besteirinha, por mais simples que fosse. Era como se a simplicidade dos objetos chamasse a atenção justamente por isso, por serem básicos.
                Lilly tinha seu cabelo preso em um rabo de cavalo, e pareceu realmente se identificar com aqueles adornos, por não serem tão chamativos e do tipo que alguma patricinha usaria. Viu pulseiras feitas a mão, com barbantes coloridos, e aquilo chamou sua atenção. Cada um dos fios entrelaçava-se, formando uma coisa só. Ela observou aquilo, e procurou seus amigos com os olhos, mas não encontravam-se lá.
                A menina comprou algumas e as escondeu em seus bolsos, procurando Drake e Sam. Os rapazes estavam em uma loja que vendia roupas para Pokémons. Drake pretendia algo do gênero para sua competição naquela semana, quando competiria por sua terceira fita. Queria algo diferente, algo belo baseado na beleza das praias e calor da região, mas não sabia ao certo o que escolher.
                —O que eu faço amanhã? —indagou para Sam, os olhos correndo pelos enfeites.
                —Sou a pior pessoa para falar de moda por aqui. —disse. —Procure algo simples, como as próprias lojas sugerem. O torneio vai estar repleto de ricos enfeitando Pokémons com trajes de grife e coordenadores experientes usando combinações baseadas nas novas tendências. Use a simplicidade para exibir seu Pokémon.
                Drake brilhou.
                —Não é que é uma boa idéia?
                Os olhos de Sam examinaram a feira, procurando por Lilly. Quase que no mesmo instante ela voltou correndo para o grupo, animada. Estava um pouco corada, mas com aquele Sol forte, isso não surpreendia muito os amigos. A tarde chegava aos poucos, e a usaram para caminhar pelas lojas. Tinham seus artigos em mãos, e os três carregavam seus ovos, aproveitando o momento para cuidar deles.
                —Gente, não ta na hora desses três eclodirem, não? —questionou o garoto de cabelos azuis.
                —Levando em conta que foi o senhor Jefferson que nos deu eles, devem tratar-se de Pokémons raros, de forma que demorem para estarem prontos para nascerem. —explicou Sam.
                Lilly bufou.
                —Eu não agüento mais esperar.
                Vez ou outra sentia alguma criaturinha chutando por dentro, mas ainda não era hora de nascerem. Os ovos haviam ficado um tempo depositados no Box, de forma que ainda não estivessem prontos para nascer, realmente. Ainda demoraria um pouco, pelos cálculos de Sam.
                Voltaram para a praia, quando o Sol começava a se pôr, a pedido de Lilly. O movimento era bem menor, e o som das ondas chamava ainda mais a atenção. Agora ficava tudo mais calmo, e o mar passava a ficar menos violento.
                Lilly escolheu um ponto bom, onde as águas batiam em seus pés. Os três já tinham retirado os calçados, e ficaram olhando pela paisagem aproveitando o momento. Todos se entreolharam, observando que agora não havia ninguém, só eles mesmos. Lilly retirou do bolso três pulseirinhas simples e dirigiu-se a seus amigos.
                —Eu comprei para a gente. Sei que é uma coisa bem cafona, mas decidi comprar assim mesmo, porque seria fofo. —ela entregou os objetos a cada um.
                Os garotos se entreolharam. Lilly sentimental? Impossível.
                —O roxo sou eu, o verde o Sam, e o azul o Drake. Todas estão entrelaçadas, simbolizando nossa união. Sei lá, alguma coisa assim. —disse, envergonhada.
                —Lilly, isso é tão... Bonito... —suspirou Sam, ainda sem reação.
                —Velho, de onde tu tirou algo tão assim, poético?
                —Verdade, você leva jeito para isso. Estou até meio sem reação...
                —Porra, pega logo essas coisas antes que eu mude de idéia! —praguejou ela, corada.
                Eles riram e pegaram os adornos, cada qual ajudando o outro a colocar. Até mesmo Lilly fora mudada ao longo daquela jornada, e sentiu que quando aquilo acabasse, seria uma nova garota. Ou melhor, seria uma mulher, e seus amigos também seriam novas pessoas. Mas a idéia assombrou sua mente.
                —Gente, daqui a algum tempo não vamos mais ter esses momentos... —suspirou.
                —Por que não?
                Ela estremeceu, e abaixou a cabeça.
                —A Liga, o Grande Festival, a Feira Ethron... E quando tudo isso acabar? E se a gente não conseguir se tornar o que queria, ou se nos tornarmos, mas tivermos que nos separar?
                Todos ficaram pensando naquilo por um instante. Podia-se dizer que haviam chegado quase na metade de sua jornada, conhecendo pessoas e conquistando objetivos. Mas era muito mais simples continuar a rotina do que se imaginarem em seus últimos desafios, quando finalmente teriam que ser os melhores, e vencer os melhores.
                A Elite, Sarah, Chad, Rose, Derek, Natsumi, Thomáz, Layla... Todos seriam rivais, todos seriam inimigos. O fim não estava próximo, mas a cada dia estava mais perto. Cada vez mais percebiam que precisariam aumentar ainda mais o ritmo se quisessem mesmo serem capazes de peitar seus adversários, pois piedade não poderia existir.
                —Ei, garota, você afastou todos os meus pensamentos negativos esse tempo todo... Não permito que você pense assim! Levanta essa cabeça, você VAI cumprir o que quer. —disse Drake.
                —Sinto informar-lhes, mas é verdade. Sou o encarregado de supervisioná-los, e não pensem que se livrarão de mim tão fácil. Agora vocês já sabem tudo o que eu poderia ensinar, terão que ser seus próprios professores. Mas sinto que se sairão ainda melhor.
                Eles sorriram amigavelmente. As ondas quebraram-se em seus pés, e perceberam que a maré estava subindo, molhando seus tornozelos. Era difícil crer que tudo poderia mudar em questão de meses. Mas o melhor a se fazer era olhar para frente e continuar treinando.  O futuro os aguardava.
                O instante pareceu durar séculos, e era isso que os amigos gostariam que tivesse acontecido. Os três rejeitados que se encontraram e tornaram-se grandes amigos. E futuramente mostrariam o que o mundo perdeu por não lhes amar tão fácil. O sol deitava-se atrás do mar, enquanto que este jogava suas ondas para lamberem a areia da praia em um movimento repetitivo.

...
             
   Já anoitecia, e os postes passavam a iluminar as calçadas, que eram cheias de pessoas transitando àquele horário. O calor atraía as pessoas para fora de suas casas para que fossem a algum dos bares ou quiosques e aproveitassem o clima de frente para a praia, que agora estava calma.
                O oceano continuava com seu movimento de ondas incessante, puxando as conchinhas da beira da praia para levá-las aos seus mais profundos reinos submarinos, onde nenhum humano ousava chegar. Era uma imensidão azul que estava além da compreensão total do homem.
                O trio sentava-se em um banco, tomando sorvetes que haviam encontrado por perto. A brisa marítima refrescava-os ainda mais, de forma que não desejassem mais nada daquele momento. Talvez apenas que seus outros amigos estivessem lá, ou nem isso.
                —O mar é tão... Grande... —disse a menina, fascinada.
                —E não é? Eu sempre adorei ele... O homem vive explorando terras, mas a maior parte do desconhecido ainda está debaixo da água. O fato de pensar que inúmeras criaturas vivem nele, onde tudo começou, me deixa completamente perplexo.
                Sam e Lilly o encararam.
                —Você foi poético...
                —... E disse “perplexo”?
                Ele franziu a sobrancelha.
                —Fui, e disse. Qual é o problema? O mar é minha fraqueza. Tenho medo dele, mas ao mesmo tempo curiosidade e vontade de explorá-lo.
                Eles ainda continuaram rindo, mas não por mal. O rapaz se cansou de tentar explicar e virou de costas, irritado. Os dois o abraçaram em sinal de compaixão, recebendo um gesto provocativo provindo do dedo do meio do garoto.
                —Minha próxima competição vai se basear nisso. —não conseguia ficar bravo por muito tempo. —O Contest Hall daqui possui um palco cheio de água, e tentam dar destaque para os Pokémons aquáticos.
                —E você não tem nenhum.
                —Exato.
                Ele refletiu. Como venceria uma batalha aquática sem um Pokémon com capacidade de se locomover neste meio? Tinha boas ideias para praticar em terra firme, mas não na água. Tudo bem. Pensou. Alguma coisa vai aparecer.
                Ele tirou de seu bolso a Pokéball de Spark e o Emolga apareceu em seu colo instantaneamente, o observando. Ele levou o Pokémon para a praia, de forma que visse o pequeno ter seus olhos brilhando devido à paisagem nova para ele.
                —Está vendo isso, Spark? É o mar. As ondas do mar vem e vão, tiram e trazem.
                O Pokémon o observava.
                —Quero que entre comigo. —pediu. —Vamos tomar um banho nele, para que tire nossas energias e traga novas.
                O Emolga assentiu, subindo no colo do treinador, pisou na areia macia, e foi em direção das águas, que já estavam mornas. Sentiram a força do oceano contra eles, puxando tudo aquele peso que carregavam e os levando para os confins do oceano, para serem perdidos para sempre.
                Drake sequer se importou com o fato de estar vestido, isso apenas melhorou, já que a umidade ficou presente em sua roupa e o refrescou. Lilly e Sam o seguiram e entraram nas águas, mas a garota preferiu não lançar seu inicial, visto que perderia seus poderes em contato com aquele monte de água.
                —Então o senhor inventou um ritual e não me chama pra fazer também? —brincou a menina, dando-lhe a mão, e dirigindo a outra para Sam.
                —Aproveite, novas pessoas nascerão depois dessa. —piscou.
                —Só espero que o mar não leve meus óculos. A nova pessoa também vai precisar enxergar. —disse Sam, os ajeitando.

                E acabaram saindo, renovados, ainda vistos como certos malucos por quem passava, já que o horário não era apropriado para se nadar no mar, que estava escuro pela negritude do céu, brilhando enquanto refletia as luzes do luar.

...
             
                   —Cara, eu adoro esse lugar!
                Uma pequena pousada seria onde o trio se hospedaria naquela noite. Nada muito sofisticado ou grande, mas o conforto daquele lugar era o mais notável. Tudo arrumado, e mesmo sendo um quarto pequeno, foi suficiente para que todos pudessem se acomodar bem. Lilly colocou uma roupa confortável para dormir, assim como Sam, enquanto que Drake preferiu ficar sem camisa.
                Havia apenas um problema, que era o fato de ter apenas uma cama. Deveria ser uma pousada própria para casais, pois era uma cama grande. Certamente deveriam dividir o espaço se quisessem
                Sam deitou , sonolento, quando Lilly saltou encima dele de forma animada na companhia de Drake, fazendo um montinho encima do Analyzer, que riu, mas ainda ficou reclamando ao fundo.
                —Montinho no Sam!
                —Malditos! —brincou ele.
                Os três deitaram na cama do rapaz, ainda que ele estivesse coberto e que estivesse relativamente quente. Ficaram conversando enquanto fitavam o teto, falando sobre besteiras e brincadeiras, de forma que o dono da pousada recebesse reclamações de risadas ao longo da madrugada no dia seguinte.
                —Me recuso a dormir com um homem seminu na mesma cama nesse calor. Principalmente se for o Drake. —dizia Lilly rindo.
                —Lilly, eu to falando sério. Não pega bem eu ficar aqui do lado do Sam, homem com homem, entende? —brincou. —Você é meio mulher, então pode.
                —Como assim meio? Cala a boca, desgraçado. —gargalhou, dando-lhe um soco.
                Lilly engatinhou pela cama enquanto que Sam foi para o outro lado, rindo. A menina se deitou no meio e suspirou alto, pensando por um instante, voltando-se para o  Coordenador.
                —Você ta de shorts, né?
                —Não.
                —Drake!!
                —É mentira, fica calma. —riu alto.
                Ela se fez de incomodada, mas continuaram jogando conversa fora. Mesmo que passassem todos os dias juntos, parecia que ainda tinham assunto de sobra para conversarem. A garota se remexeu no meio, aproveitando a posição confortável e segura entre os dois amigos.
                —Como eu estou no meio, se algum monstro sair debaixo da cama, eu vou estar seguram. —refletiu a menina.
                —Por que você acha isso? —indagou Sam.
                —Eles iriam se voltar pra quem está mais na ponta, e como eu estou no meio, tenho tempo de correr enquanto devoram alguém.
                —Lilly, se algum monstro sair debaixo da cama e vir a sua cara ele sai correndo com medo. —disse Drake.
                Ela socou o ombro do rapaz, mas acabou rindo. Se não fosse com ela mesma, teria rido mais. Sam apenas ria enquanto a situação não se voltava para ele, afinal, sabia que a troca de elogios acabaria sobrando para alguém. Daqui a pouco vão falar da gordura imaginária um do outro, mesmo ambos sendo magrelos. Pensou Sam.
                —Você é tão gordo, mas tão gordo que quando passa na frente da TV, a gente perde três episódios. —ela riu da própria piada.
                —E você é tão gorda, mas tão gorda, que quando pula na piscina o ataque Splash realmente faz dano. —retrucou Drake.
                Desta vez até Sam riu. Tinham um ganhador.
                —Pegou pesado.
                —Quer um abraço pra você se sentir melhor?
                —Não.
                —Ah bom. Eu não ia abraçar mesmo.
                A madrugada passou rápido, até que o som de alguém batendo na porta ecoou pelo quarto. Os três fitaram o retângulo de madeira iluminado pela luz refletida pela lua, o que a tornava ainda mais aterrorizante. As batidas se repetiram, até que o trio decidiu ir junto verificar do que se tratava, todos andando cautelosamente.
                Drake foi o obrigado escolhido para abri-la. Tocou calmamente a maçaneta fria e abriu a porta de uma vez, eles se deparando com um velho magricela e pálido, com os cabelos espalhados e um olhar obscuro com olheiras, carregando um pequeno lampião.
                “WAAAAAAAAAAAAAAAAAAH”
                —Crianças, francamente. —disse o velhinho. —Sou eu, o dono da pousada. Estou recebendo reclamações que ninguém consegue dormir com essa barulheira que vocês estão fazendo! Por favor, silencio.
                Ele mesmo fechou a porta, enquanto que os três estavam jogados e amontoados atrás da porta, esperando os batimentos cardíacos se acalmarem um pouco. Eles riram uma última vez, e voltaram para a cama, decididos a dormir. Afinal, precisavam de energia para o dia seguinte.
                Lilly se voltou para Drake instantes depois.
                —Tira o braço da minha barriga.
                —Não é meu braço.
                —QUE NOJO.
                —Calma, calma, calma, é mentira!
                Mas era tarde demais. Quando notou, havia sido chutado para fora da cama, tendo que dormir no chão, junto com os monstros debaixo da cama.

domingo, 9 de dezembro de 2012


                Sam e Layla caminhavam tranquilos por Legeny Town, lado a lado. O movimento da cidade era quase nulo, e o tempo agradável que fazia era útil para uma boa caminhada. Cada pequenina rua da cidade parecia contar uma história, uma lenda, e o grandioso museu a qual haviam visitado ainda dispunha de todo o esplendor característicos a antigos.
                —Costumo ser sempre apaixonada por história antiga! Meu Chrominus! —exclamava Layla.
                —Realmente é muito interessante. —concordou Sam.
                Aos poucos uma garota de cabelos rosa se aproximou. Calmamente procurou se dirigir em frente aos dois amigos, mas não os interrompeu. Ambos ainda trocavam ideias, e quando se viraram puderam notar a presença daquela garota. A mesma esboçou um sorriso tímido e se pronunciou:
                —Sam… Você poderia me ajudar a treinar? —questionou, como já era de costume, mas ainda tinha dúvidas quanto à resposta.
                —Claro, eu adoraria. —concordou ele. —Layla, se importa se eu for?
                —De maneira alguma. —disse a ruiva. —Divirtam-se.
                Agora os dois iam saindo aos poucos, procurando algum canto mais tranquilo dentro da cidade. Era admirável, sem dúvidas, mas já havia um tempo que os dois não batiam o mesmo papo de pouco tempo atrás. Apesar de um pouco de distância temporária, Lilly não hesitou em tentar quebrar o gelo:
                —Ela parece legal…
                —E ela é, Lilly. —exclamou Sam. —Eu tento te dizer, ela pode ser de grande ajuda em qualquer estudo ou treino seu.
                A garota sorriu, mas não prolongou aquele assunto. Enfim chegaram ao destino, então procuraram qualquer sobra onde pudessem impedir aqueles raios solares de lhes queimar a pele. Lilly inspirou o ar profundamente e o expirou.
                —Bom, o próximo Gym é…
                —Ginásio de Heaveir City, e se meus conhecimentos não falham, é especializado em tipos Flying. —explicou o jovem de cabelos azuis. —Eles são fracos contra…
                —Ice, Electric e Rock. —respondeu a menina de prontidão, como uma criança ao receber a pergunta de um aluno.
                —Perfeito! Viu só? Você aprende bem as coisas.
                —Obrigada, professor. —brincou. —Mas só tem um detalhezinho… Eu não tenho nenhum destes tipos…
                —Complicou… Veremos se não encontramos qualquer outro Pokémon na próxima Route, sim? —sugeriu.
                —Obrigada pelas ajudas, todas as vezes… —ela agradeceu novamente.
                —Disponha, até porque você progrediu muito desde que nos encontramos pela primeira vez, sabia? —sorriu o amigo.
                —Eu não sabia porcaria nenhuma… —gargalhou Lilly, em seguida fechando a cara. —É que não tive muito incentivo na parte de meu futuro como treinadora.
                —Como assim?
                —Meus pais não queriam que eu fosse treinadora.
                —E eles mudaram de ideia?
                —Não vamos querer falar sobre isso agora, não é? —cortou ela, tentando disfarçar qualquer expressão que viesse ao seu rosto.
                —Também vi pouco meus pais nos últimos tempos, se serve de consolo. —respondeu Sam. —Se eu pudesse pedir algo, seria que os visse de novo logo.
                Pedidos e desejos. Os humanos são incapazes de perceber a força de tais ações, ou como elas podem recair sobre estes. Às vezes, qualquer simples palavras jogadas ao vento poderiam acabar se concretizando, se o destino permitisse tal feito. Porém, Sam não parecia tão preocupado com aquilo, logo voltando a conversar:
                —Venha comigo.
                Lilly o seguiu, mas até mesmo o garoto parecia não estar buscando nada específico. Fitava ao seu redor, à procura de algo, e conseguiu encontrar. Havia um majestoso Rapidash, e apesar de tais Pokémons não serem nativos do continente ainda assim eram trazidos para as fazendas locais das pequenas cidades próximas. O mesmo era amarrado por uma corda a uma cadeira vazia, e lá permanecia, como se estivesse preso ao solo.
                —O que você vê? —perguntou Sam.
                —Um Rapidash… Amarrado em uma cadeira. —respondeu ela como se fosse algo totalmente simples, e na realidade era mesmo.
                —Exatamente. —disse. —O que você pode concluir?
                —Que você pode amarrá-los em cadeiras?
                Sam sorriu, por ver que os velhos tempos ainda estavam na ativa, onde aquela garota teimosa não conseguia compreender suas metáforas, e apesar de não comentar, ele adorava aquilo, adorava ensinar coisas para a amiga e vê-la mostrar sua personalidade curiosa.
                —Você não acha que um Pokémon forte desse consegue se soltar desta cadeira? Que consegue sair de lá numa boa? —perguntou.
                A garota refletiu por alguns instantes. Aquilo fazia sentido.
                —Acho que sim. —respondeu, por fim. —Aonde você quer chegar?
                —O que quero dizer é: Muitas vezes nossas barreiras são muito mais mentais que reais. Nossos valores são ensinados assim que entramos para o mundo, e às vezes eles podem nos impedir de conseguir coisas que desejamos… —explicou, filosofando. —Mas o que você quer não é uma coisa ruim, não é um pecado. Não deve parar de seguir seu sonho.
                Lilly fitou o rapaz. Sam também progredia muito, mas a figura de um grande amigo em conjunto com um professor era algo que ela adorava. Não compreendia como às vezes podia ser tão besta com esse, mas o jovem também pensava aquilo de sua própria pessoa.
                —Muito… Muito obrigada. —sorriu.
                Aos poucos um grande número de nuvens acinzentadas e fundidas tapava a bela visão do céu, como uma cortina negra. A brisa fresca que soprava foi substituída por ventanias frias e malévolas, como se assoviassem uma canção obscura em meio àquela paisagem que aos poucos se tornava sem vida. Pequenas gotículas de água eram derramadas pouco a pouco, começando com um pequeno número, mas deixando claro que milhares daquelas seriam mandadas em pouco tempo.
                —Oh-oh... Uma tempestade tensa se aproxima… —alertou Sam.
                A dupla correu, procurando abrigo. Nos últimos tempos, as tempestades em Ethron tornavam-se mais perigosas, como na memorável durante a estadia em Funment City. Rachel era capaz de explicar com simples palavras, mas para todos era uma grande conspiração do destino. O museu da cidade tornou-se um verdadeiro abrigo para todos, e não tardou para que os cinco amigos se reencontrassem, Drake, Layla, Rachel, Thomáz, Lilly e Sam.
                —Essa não, os Deuses devem estar tendo uma reunião… —comentou Rachel. —Tenho certeza que essa fúria vem de Zaellis, só não sabemos o motivo…
                De repente, um senhor veio correndo em direção de todos:
                —Os Pokémons estão fugindo! Estão descontrolados!
                Tratava de apenas um velho homem, com alguns típicos Pokémons de fazenda, que planejava transportar alimentos e afins para a cidade mais próxima, Carevite Town, a qual também mantinha um clima rural. Porém, todas as criaturas pertencentes a este fugiam descontroladas, como se estivessem enfurecidas.
                —Espera isso não pode ter relações com os lendários… —disse Rachel quando viu os Pokémons fugindo. —Só vi alguma coisa assim acontecer quando…
                —Quando Ethron sofreu O Apocalipse, quatro anos atrás! —disseram todos os cinco em conjunto.
                E realmente fora assim que tudo começou. Pequenas coisas, um descontrole, e aos poucos tudo era destruído pelas criaturas que eram até mais amigas e companheiras que muitas pessoas. Aquele pensamento trouxe impressões ruins para todos, mas Drake parou para notar algo que também lhe chamou a atenção.
                Duas crianças discutiam. Uma menina e um garoto. O pequeno menino jazia debaixo da cobertura do museu, enquanto que a garota estava na chuva, ainda que ambos estivessem encharcados. Ambos gritavam um com o outro para se ouvirem, visto que a tempestade que caía trazia sons e ruídos altos e assustadores.
                —Não! Eu vou voltar sozinha, não quero mais te ver! —disse a garota.
                —Espera, tá chovendo! Você pode se machucar! —repreendeu o menino, preocupado.
                —O que essas duas crianças estão fazendo nesse tempo?  —questionou Layla.
                A garotinha havia perdido a cabeça.
                —EU NÃO QUERO MAIS TE VER! —gritou, chamando a atenção dos Pokémons endiabrados.
                Déjà vu.
                Os olhos de Drake pareceram começar a nadar em meio a algumas lágrimas que custavam a não cair. O garoto começou a correr impulsivamente, como se alguém estivesse prestes a vivenciar um pesadelo. Seus amigos não entenderam a princípio, se aquela disposição era apenas para proteger a garotinha, que fugia descontroladamente.
                —Drake, onde você vai? —gritou Lilly.
                —Isso nunca mais vai acontecer! Nunca na minha frente! —balbuciou o jovem enquanto corria, para si mesmo.
                O garoto de cabelos azuis já não se importava com a chuva, com os trovões ou raios, ainda que de um instante para outro tudo fosse iluminado com uma luz branca, como se algo estivesse muito perto. A pequena correu para se abrigar em uma árvore, mas o grupo de Pokémons logo a alcançariam e a massacrariam.
                —Ela não pode ficar perto deste tipo de árvore, elas são boas para atrair raios durante tempestades! —comentou Layla desesperada.
                Drake correu para perto da menina e a afagou em seus braços. Nunca havia a conhecido, e a recíproca era verdadeira, mas ainda assim ela não se impediu de abraçá-lo, tremendo e aterrorizada. A situação se agravava, mas o garoto simplesmente disse para si mesmo, enquanto derramava algumas lágrimas, tentando fugir do passado.
                —Não vou deixar isso acontecer de novo.
                Um raio atingiu a árvore, mas Drake começou a brilhar em um tom anil. Se fosse um Contest certamente ganharia a nota máxima pelo contraste com a iluminação esbranquiçada às suas costas. Os amigos gritaram ao ver o local ser atingido e em seguida pegar fogo. Era simplesmente fatal, mas todos os que presenciavam a cena quase enfartaram ao vê-lo de pé com a garota no colo. Com o impacto, os Pokémons tinham se afastado, mas logo acabaram por retomar consciência.

                —Ele está sendo reclamado, não é? —disse Sam.
                —Sim, ele é descendente de Zaellis, o rei dos Deuses, senhor das tempestades! —respondeu Rachel aliviada.
                O tumulto passara, e certamente era o único jeito de se sobreviver a um raio. Se é que não fora algo pré-planejado. O jovem levou a garota em seus braços, e a mesma ainda tremia de agonia, a pele gélida pela chuva que aguentara nos últimos instantes. Ninguém mais a perseguia, e talvez a única razão do descontrole dos Pokémons tinha sido a tempestade. Mas Layla e Sam duvidavam.
                —Muito obrigada, menino! —exclamou a garotinha.
                Drake levou-a para perto do amigo, e em seguida posicionou-os em sua frente. Soltou um suspiro longo, e os fitou por alguns instantes. Estes aguardavam que palavras sairiam da boca daquele garoto, que na visão infantil era seu herói.
                —Olha, eu não sei o que você fez pra ela, mas nunca repita isso. Nunca deixe que ela saia de perto de você, nunca perca sua amiga. Nenhuma pessoa volta. —disse ele, coçando os globos oculares impedindo que qualquer lágrima pudesse cair indesejadamente. —E você, mesmo não sabendo o que ele fez, nunca aja assim. Tenho certeza que ele se preocupa muito com você, não o deixe!
                Ambos não haviam entendido. Uma mente tão inocente e ingênua era incapaz de entender tais palavras, mas sequer Drake conseguia se expressar em apenas algumas frases. O ocorrido lhe lembrava de Melissa, e nunca mais permitiria que dois amigos fossem separados pela morte. Ao menos em sua frente.
                —Mas o quê…? —perguntou Rachel.
                —Ele teve capítulos difíceis na vida… Ele pode ser filho de campeões, mas as aparências enganam. —disse Sam.
                —Você está bem? —perguntaram Sam e Lilly, vendo-o se aproximar cambaleando.
                —Tudo certo, obrigado, gente. —sorriu ele.
                —Agora não me surpreendo mais… Afinal, descendente de alguém tão importante sua família ganhou o sangue divinal mais imponente e majestoso. —disse Rachel, sorrindo. —E quem sabe seu futuro também seja tão brilhante como todos os seus ancestrais?
                Aquilo era com que o garoto menos se preocupava, pois ainda se sentia igual antes. Em momentos normais estaria pulando de alegria por algo tão inusitado ter ocorrido, mas estava sem energia ou vontade daquilo. Aos poucos as nuvens se dissipavam, e o mesmo sol belo retornava. As chuvas de verão eram mesmo imprevisíveis.
                Thomáz anunciara ao grupo que deveria se separar deles. Tinha os próprios afazeres naquela cidade, mas se o futuro permitisse, estes se reencontrariam na Pokémon League, como grandes treinadores competindo entre si em uma conferência.
                —Tem certeza que não quer vir com a gente, cara? Você faria uma baita diferença! —disse Drake dando alguns tapinhas nas costas do colega.
                —Obrigado, Drake, mas ainda tenho minhas coisas para resolver. —mencionou o jovem. —Logo mais nos vemos.
                —Claro, e valeu por ter consertado meu Pokémon! Tu é foda! —sorriu o garoto de cabelos azuis.
                —Imagine, foi divertido.
                —Tome cuidado, lembre-se, os Pokémons descendentes de criaturas malignas adoram-nos como refeição. —alertou Rachel.
                O grupo riu, mas a ruiva não entendeu. Ela apenas falava daquilo, e era curioso como não tinha cabeça para mais nada que atraia as garotas na época. Certamente aquele grupo conseguira unir as garotas com personalidades mais peculiares do continente, embora não o citassem.
                Uma nova Route se aproximava, e após ela uma cidade grande para quebrar a monotonia. O local pelo qual passavam era demasiado tranquilo, mas era de certa forma possível notar barulhos e sons provenientes da cidade seguinte. Vez ou outra um avião podia ser avistado bem próximo, o que chamava a atenção para um ponto pouco distante.

...

                
                  Após poucas horas de caminhada o grupo decidiu fazer uma pausa. Procuraram algum lugar onde pudessem descansar um pouco, e relaxar após a manhã conturbada. Depois daquela tempestade não era possível notar a presença de Pokémons na rota, o que significava que todos teriam aproveitado para se esconder. Drake sugeriu:
—Lilly, que tal uma batalha para treinar nossos Pokémons?
                —Vou acatar o pedido, “senhorito”. —respondeu a jovem.
                —Então eu serei o juiz, como nos “velhos tempos”. —comentou Sam.
                O trio se separou, Drake indo para o lado esquerdo e Lilly para o lado direito, enquanto que Sam permaneceu no meio. Ambos os amigos se aqueceram e alongaram, como se fossem praticar uma luta de boxe um contra o outro. Rachel e Layla se prepararam para assistir a disputa, mas pareciam quase tão empolgadas quanto.
                —Esse pessoal é demasiado doido… Mas acho que é isso que faz deles tão legais, não é? —brincou Rachel.
                —Sim, tenho que concordar. —sorriu Layla.
                —Olá senhoritas, sejam bem-vindos à luta do século. Digo, da semana. —brincou o jovem de óculos. —Cada um dos dois lados pode usar um único Pokémon. Então, podem começar…
                —O.K, Koalappy, vamos lá!
                —Chrome, pode sair!
                Lilly lançou seu pequeno coala, que como de costume saiu da Pokéball cambaleando, como se tivesse acabado de acordar. Drake lançou o mais recente adquirido robô, Rhitwhir, que fez o mesmo som que um computador sendo ligado. Drake retirou um pequeno joystick do bolso, e se preparou para batalhar.
                —Já deu um nome para seu novo robozinho? —provocou a garota.
                —Essa é a Lilly que eu conheço, toda sem “emice” e que adora provocar! —brincou Drake.
                A garota riu, e fitou o adversário por um instante. Era uma verdadeira máquina, então não se cansaria facilmente, e embora estivesse com poucos ataques disponíveis ainda poderia surpreender bastante durante a batalha. A menina se pronunciou:
                —Vamos usar o Defense Curl!
                Koalappy criou uma pequena esfera em torno de si, que aos poucos fundiu-se ao seu corpo, aumentando o nível de defesa para ataques físicos. O amigo coçou a cabeça:
                —Vai aumentar a Defense com um Pokémon cheio de Special Attack? Não muito engenhoso, minha colega. —provocou
                —Eu só estou me aquecendo, amiguinho.
                Drake pressionou alguns botões do controle e fez o comando para que Chrome utilizasse Psybeam. Um raio colorido foi desferido no coala, que caiu sentado por não ter grande defesa especial. Em seguida utilizou-se de Headbutt, para cabecear o adversário, que não possuía altos níveis de defesa.
A máquina começou a se movimentar agilmente após um comando dando indícios de Agility. Koalappy, após Lilly lhe ordenar, uniu espinhos do ambiente e desferiu um soco em Rhitwhir, mostrando o poder de Secret Power. Layla e Rachel assistiam tranquilas a batalha, mas continuavam interessadas nas estratégias que ambos poderiam estar preparado.
Koalappy parecia estar muito mais fraco, principalmente após receber outro Psybeam. Lilly ordenou que utilizasse o Rest, onde poderia aumentar seu HP gradativamente, embora ficasse adormecido nestes turnos. Era um ataque que exigia estratégias maiores, mas era a única saída de Lilly naquele instante. Porém, Koalappy foi tomado por uma luz branca, mas desta vez não era um trovão.
                —Hã… Eu sei que ele se recupera quando dorme, mas ele está…
                —Evoluindo! —exclamou Lilly.
                O Pokémon aumentou bastante de tamanho, chegando a ficar maior que Lilly. Sua pequena fofura virara uma espécie de urso gigante, realmente muito mais forte e resistente, porém ainda mantinha a típica expressão de sono. Quando acordou, pôde ver o mundo na forma de Koalarge.



                —Meu pequenino virou um… Grandalhão… —suspirou Lilly.
                —Quero ver se você vai conseguir vencer esse carinha novamente quando eu instalar uns novos TMs nele. —disse Drake recolhendo seu robô.
                Lilly cumprimentou Koalarge, e em seguida o Pokémon caiu adormecido novamente. Com o aumento de tamanho, só ganhara mais sono. A garota recolheu-o de volta à Pokéball, contente por dentro em ter evoluído aquele Pokémon. Porém, as demais criaturas pertencentes à rota estavam em movimento natural naquela hora, talvez até mais agitados.
                —Boa batalha pessoal… Mas acho que os Pokémons da rota ficaram meio agitados depois dela. —disse Sam.
                —O Koalappy, você ficou… Digo, o Koalarge, ficou muito mais forte! Ahá, todos que não tinham fé no pequenino se deram mal! —comemorou a menina.
                —Minha sugestão é que invista na Defense dele. Por enquanto ninguém no seu time cobre esse papel, então aos poucos ele pode ir ganhando importância. —sugeriu Sam.
                Com certeza Sam tinha alguns planos para Koalarge. Este poderia utilizar itens que aumentassem sua defesa e enquanto utiliza Rest, usar Sleep Talk, um golpe que Lilly ainda custava para fazê-lo aprender, mas ainda tinha esperança de consegui-lo logo.
                Layla e Rachel apontaram para um lugar próximo, e mencionaram que aquele Pokémon havia assistido toda a batalha e aguardava a sua vez de entrar em campo contra Lilly. Talvez tivesse ficado interessado em treinar suas técnicas, ou então queria testar a força da garota e ver se estava à sua altura. Era um pequeno lobo, os pelos indicando eletricidade estática passando. Apesar do tamanho, aparentava ser realmente determinado e forte, com sua habilidade Intimidate.
                —Hm… Volpup? —sorriu Lilly.
                A garota fez um sinal para que o Pokémon a acompanhasse e disputassem uma batalha, e o mesmo assentiu com a cabeça. Lilly lançou novamente Koalarge, que não ficou deveras contente por ter que entrar em ação de novo, mas se era aquilo que sua treinadora desejava, iria fazer o melhor.
                O Pokémon avançou contra o grande coala e usou Tackle, mas Koalarge sequer saíra do lugar pelo pouco impacto. Avançou com o Headbutt e o lobo realmente recebeu um dano mais considerável. Não se permitiu cair, correndo na direção do adversário enquanto reluzia em uma luz amarelada, um Spark. Por fim, Koalarge utilizou Secret Power, e realmente causou danos ao inimigo.
                Lilly não perdera tempo e pegara uma Pokéball dentro de sua bolsa. Esta negra, com meio arco amarelado. Era, após a Master Ball, a capsula com mais probabilidade de captura, cerca de duas vezes de uma Pokéball comum. A garota lançou-a no Pokémon, e em seguida debateu-se três vezes, até enfim demarcar uma captura.

                —Ultraball? Que exagero. —comentou Drake.
                —Me deixa ser feliz.
                —Pessoal, eu não quero decepcioná-los, mas o dia está escapando da gente. —disse Sam olhando para o céu e notando que já não estava mais tão claro.
                O grupo se levantou novamente e apertou o passo. Deveriam chegar na próxima cidade logo quando escurecesse, permitindo que passassem o dia seguinte inteiro em função de explorar aquela grande cidade. Turbinas de aviões já eram ouvidas, e pareciam pousar cada vez mais próximos. Rachel deu um salto após ver-se ao lado de uma caverna.
                —O que me lembra: Temos que dar uma olhada no Mt. Olympus! —exclamou.
                —O conjunto de cavernas? —perguntou Lilly descontente. —Não, valeu.
                —O topo do Mt. Olympus e onde jazem todos os lendários durante as reuniões. —explicou, mas parecia realmente preocupada. —Só tem um problema… Apenas os reclamados podem ir.
                —Então a Lilly e a Layla ficam? —disse Drake. —Tudo bem…
                Rachel deu a mão para os dois garotos e disse que ambos deveriam fazer o mesmo. Seguiram as ordens da garota, que parecia já ter executado aquela ação. Rachel havia lhes contado muita coisa sobre aquele assunto, mas ainda estava longe de ser tudo. Esta fechou os olhos e proferiu:
                —“O kyríarchoi tou kósmou , epitrépontas ti̱n eísodo to̱n apogóno̱n tous sto paláti tou ouranoú”
                Sam e Drake podiam jurar que tinham apenas piscado, mas quando notaram, não estavam mais na Route 310. Layla e Lilly ficaram alguns instantes em silencio. Não sabiam exatamente o que dizer visto que sequer tinham parado para conversar mais afim naqueles tempos. A ruiva quebrou o silêncio:
                —Você têm progredido bastante, Lilly, tenho certeza que logo estará vencendo todos os Gym Leaders.
                —Imagina… —disse Lilly, contente. —Espero que todas as conclusões que você e o Sam têm feito de pesquisas estejam dando certo…
                —Obrigada, está tudo bem. O Sam fala bastante de você. Bastante e bem, aliás.  —corrigiu. —Agora vejo que é mesmo uma pessoa muito divertida!
                As duas trocaram alguns sorrisos. Mas não imaginavam o que poderia estar acontecendo lá encima, no topo do Mt. Olympus. Em uma fração de segundo após Rachel dizer aquelas palavras em um idioma antigo, estavam logo no aclamado local, alvo de lendas e histórias antigas, quando os humanos montavam suas suposições sobre o que lhes aguardava no topo.
                —WOW! —foi a única palavra que saiu da boca dos garotos.
                Longe de onde qualquer olho pudesse avistar, acima das nuvens no céu. Era onde estavam. Pokémons pássaros que nunca haviam visto voavam por lá, enquanto passavam pelas cortinas de nuvens. Era como uma verdadeira cidade, repleta de palácios e construções antigas, todas feitas dos materiais mais nobres existentes como o ouro. Parecia tudo reluzir à luz solar, deixando no ar um tom místico, magnificência e nobreza.

                Era o lugar mais belo que já tinham visto, e imaginavam como era possível que tudo aquilo existisse bem debaixo do nariz de todos. Ou melhor, acima. Pararam por alguns instantes para fitar aquela paisagem impressionante, e até Rachel que já havia o visto ou frequentado soltava seus suspiros.
                —O que acham daqui? É magnífico, não? —perguntou a ruiva.
                —É o lugar mais místico que já presenciei, é fantástico! —disse Drake, boquiaberto.
                Sam parecia fitar e tocar um grande pilar em sua frente, feito do mesmo material que tudo à sua volta.
                —Que tipo de material…
                —Ouro celestial. —respondeu a menina. —Prata celestial, bronze celestial, e todos os materiais indestrutíveis e fabulosos imagináveis.
                Estátuas do mármore mais polido possível também decoravam o espaço. Mas uma construção os fazia suspirar ainda mais. Era imensa, cerca de trinta metros de altura. Gravadas nela, figuras mitológicas e celestiais feitas de prata celestial, enquanto que o ouro e o mármore ainda predominavam.
                Rachel indicou que deveriam entrar ali, embora os dois ainda tivessem receio sobre o que poderia os aguardar lá. Murmúrios e batidas soavam provenientes de lá, mas ainda assim concordaram em adentrar o local. Dentro conseguia ser ainda mais belo, repleto de pilastras ainda do mesmo material, com imagens no teto, que parecia tão distante dos olhos.
                Doze tronos, cada um decorado com individualidade estavam dispostos em “U” no grandioso salão. Em cada um, alguém jazia sentado, mas a fraca iluminação não permitia que fosse possível ver cada um afim. Todos se aquietaram ao ver a presença de três jovens, e os dois garotos pareciam demasiado desconfortáveis.
                —O-olá. —disse Sam, baixinho.
                —Credeuspai! Olha o tamanho dos caras. —sussurrou Drake.
                —Por Ethron, o que fazem aqui? —questionou alguém. —A data já chegou, descendente de Artione.
                Seu trono era o maior e mais decorado, mas sua voz era como um trovão ribombando nos céus, o que não auxiliava para deixar os garotos menos à vontade. Rachel pigarreou e em seguida também começou a falar, fazendo um sinal de respeito antes de tudo:
                —Perdão por nossa interrupção e tal infortúnio, vossa majestade, mas desejo pedir um pouco mais de tempo.
                —Do que ela está falando? —cochichou Drake, vendo que o companheiro também não compreendia.
                —Jovem, já foi lhe dito e estipulado um prazo. —disse o mesmo senhor. —Ainda não foram capazes de encontrar todos os escolhidos?
                —Ainda não, senhor, mas o progresso tem aos poucos sido concluído. —ela respondeu. —Juro pelo Rio Estige, e peço que permita-nos encontrá-los e os respectivos Deuses responsáveis reclamem-nos.
                —O que acham?
                Todas as mesmas pessoas voltaram a murmurar, até que o mesmo homem bateu palmas alto, para que todos se silenciassem. Uma mulher se levantou, mas ainda era impossível ver seu rosto. A moça pronunciou-se:
                —Devemos lembrar-nos de que ainda assim faltará uma criança a ser declarada, visto que a criança pertencente a Hinferis tardaria a ser descoberta, pois este faria de tudo para atrapalhar-nos. —disse ela.
                —O que está acontecendo, Rachel? —perguntou Drake confuso.
                —Artione após me reclamar responsabilizou-se e me pediu para que encontrasse todos os outros escolhidos… Mas apesar de saber quem são alguns não sei de quem são filhos. Preciso de mais tempo. —ela disse.
                —Deixa comigo. —respondeu o amigo.
                Os olhos da garota quase saltaram para fora do rosto, e os cabelos se eriçaram:
                —NÃO FAZ ISSO, BAKA! —gritou.
                Drake foi ao centro do salão, com uma expressão de indecisão no rosto. Quase era possível ver os Deuses esfregando a palma da mão no rosto, enquanto Rachel segurava em uma pilastra e lhe dava cabeçadas fracas dizendo “agora já era”.
                —Hm… E aí, gente boa? Tudo em cima? —cumprimentou o jovem. —Aliás, encima mesmo, hein, nas nuvens!
                O garoto riu, mas notou que um raio quase o acertara se não tivesse se abaixado na hora certa. Engoliu uma boa quantidade de saliva, um tanto quanto desconfortável. Aquele senhor com certeza era Zaellis, o rei dos Deuses, e também seu ancestral.
                —Honre seu parentesco divinal, jovem. —disse o homem.
                —Sorry. Olha, faz bem pouco tempo que eu comecei a entender essa história, e não entendo bulhufas do que vocês falam. —disse ele sinceramente, fazendo Rachel quase enfartar de agonia. —Mas de uma coisa eu sei, se eu estou no meio, eu vou até o fim. A Rachel faz de tudo para encontrar todos os supostos escolhidos, e no começo eu achei que ela era louca. Mas se vocês ainda tem quase um ano inteiro para se virarem, por que a pressa?
                A mesma mulher se levantou:
                —Pequeno, talvez não saiba, mas o líder dos Titãs, a quem enfrentaremos é senhor do tempo. Até por tal razão não podemos confiar na passagem dos dias, pois este pode fazer de tudo para atrapalhar-nos. —respondeu.
—Também sofremos com certas regras, pois a reclamação só pode ocorrer em momentos determinados em que há uma demonstração de algo herdado de seu ancestral, ou então em momentos especiais para cada um dos descendentes. —completou Zaellis.
Ele assentiu, mas continuava sem compreender. Havia concluído que Rachel precisava encontrar todos os escolhidos logo. E também se lembrava de algumas reclamações, como de Sam quando Lilly lhe dera um beijo na bochecha, ou Thomáz quando provou que entendia das técnicas de mecânica e eletrônica.
                —Mas estão fazendo um bom trabalho, jovens. —completou Zaellis. —Creio que serão capazes de nos auxiliar durante esta guerra.
                —WHAT? A gente tem que ajudar? —gritou Drake.
                —Vocês deverão, mas acima de tudo já terão descoberto muito mais sobre vocês mesmos. —respondeu.
                Ainda era um tema confuso, mas podiam concluir em que menos de um ano haveria uma verdadeira guerra entre Titãs e Deuses, e estes deveriam colaborar em conjunto com os outros descendentes. Por fim, o rei dos Deuses se pronunciou uma última vez, batendo palmas para que voltassem suas atenções nele.
                —Pois bem, essa reunião está encerrada. —disse. —Até breve.
                E quando piscaram, estavam de volta.

 
 
Copyright (c) 2013 Ethron Adventures. Ethron Adventures. Escrita por Vítor Siqueira {Haos Cyndaquil} Template Original em BTemplates [Vernal]